terça-feira, 18 de outubro de 2011

E eu que sempre incentivei 
mergulhos rápidos e inconsequentes
agora me vejo invalida,
na beira do mar revolto.
Não tem quem me empurre,
não consigo pular sozinha.
Tenho medo de ficar parada,
medo de ficar acuada,
sentindo o medo do medo do medo do medo.
Cada onda que vejo ir embora,
quando volta já é outra hora.
Eu continuo sentada,
eu continuo parada,
eu continuo prostrada.
Na letargia
não encontro alegria.
Viver, viver, viver
vir ver ir ver sofrer
no mar no ar num lugar
longe, bem longe de tudo que signifique amar.


imagem: oitopontodezoito.blogspot.com


de pérolas e ostras


Enfim, posso nao ser o que desejas,
mas pra que mesmo que existe marketing?


Também posso não ser o que tu sonhas,
mas fica acordado comigo dois minutos...



Ainda posso não ser o que tu queres,
mas mesmo assim,
sou o melhor do que posso ser...
 
Nada disso convence?



‎Então,
enquanto uma gemer com o amor feito,  
a outra vai  tremer de despeito...
 
 

imagem: meuestilobiju.blogspot.com

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

sou ou...

imagem: aartedoslivrespensadores.blogspot.com


Eu sou sombria,
mas também cheia de luz.
Eu sou escuridão
mas também um arco íris.
Eu sou a imensidão
mas também o último sopro de ar.
Eu sou dilúvio
mas tambem a lagrima indiscreta da hora incerta.
Eu sou o vendaval
mas também a respiração do ouvido de quem amo.
Eu sou o calor do sol do verão,
mas também o gelo que teu corpo recebe.
Eu sou tudo isso,
então como me rotular?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011




...dizer adeus
sem nunca ter dito "muito prazer"
dói pela incerteza do intervalo...
bom, ruim? doce, amargo?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sal

como pode haver um sentimento de aperto tão grande sem que se localize a origem? e desse aperto, simplesmente desandar uma chuva que sai pelos olhos, como um temporal? tenho eu alguma esponja no corpo, molhada, que se contrai e sai a molhar tudo por aí?




imagem: devaneiosliterarios.blogspot.com


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

tropeços..

Tropeçei quando
achei que era amor. Era uma cerca de arame farpado;
achei que era tesão. Era canibalismo;
achei que era delicadeza. Era indiferença;
achei que era ternura. Era só caridade;
achei que eu era importante. Eu era só platéia;
achei que eu era muito. Era menos do que nada;
achei que havia troca. Era roubo descarado;
achei que veria a verdade. Sequer consegui abrir os olhos.
Finalmente, caí:
desliguei os telefones. E ele nem notou.


imagem: palavras-soltas-livres.blogspot.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

de confusões estou cheia,
de indefinições, cansada.
da vida, não quero mais nada.
do amor... esse é uma cilada.

de confusões estou cheia,
de desamores, cansada,
de esperar, não quero mais nada,
e a ilusão é só uma cilada.

as confusões cansam,
as indefinições são ciladas,
a vida, acinzentada.
a espera, desesperada.

os desamores machucam,
indefinidos e calados.
as confusões misturam
o que é, do que não é nada.

eu to aqui tentando
fazer da dor uma canção
que toque, toque, toque,
até a mais profunda exaustão.
não quero mais paixão.

imagem:penochaocabecafeita.blogspot.com